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Eu não sou muito favorável a utilização indiscriminada de rótulos. Daqueles que ditam que brasileiros são assim, professores são assados, mulheres são todas de um jeito e mães só mudam de endereço. Cada ser é único, embora repleto de semelhanças. Entretanto, muito tenho lido e escutado acerca da mania de perfeição e da alta competição das mães modernas e urbanas, regada com muita culpa, logicamente. E devo confessar que este assunto vem me atormentando há tempos. Desta maneira volto a este abandonado blog para refletir sobre o tema. Ops, já me senti culpada pelo abandono do blog.

Este assunto me absorve e além de ser mãe recente a espera do segundo, um texto muito interessante de uma querida amiga jogou uma nova luz sobre o fato e me deu vontade de opinar. Minha amiga brasileira que mora na Suíça (e está cada dia mais suíça) se auto intitulou Mami-Monstro e se tornou a nossa mais adorável anti-heroína. Assumiu seus erros e acertos e desistiu da máscara de falsa perfeição. Para quem quiser ler o texto segue o link:(http://umabrasileiranasuica.wordpress.com/2012/04/04/mami-monstro-11/ ).

Com minha veia antropológica de cientista social não me canso de observar todas as mãe que encontro, e claro, a mim mesma. É difícil negar que as mulheres são de fato seres competitivos mas nada pode se comparar a veia competitiva materna. Podemos até confessar na academia que o sexo em casa está fraco ou admitir para a ex-colega da facul que o emprego está péssimo e mal remunerado, reclamar da falta de romantismo do marido, da conta bancária no vermelho, entregar os quilos que engordamos com os anos… Mas JAMAIS em tempo algum iremos denegrir nossa imagem de mãe, que tenta ser a melhor e que busca a perfeição, perante as outras. Claro que devemos levar em consideração o que cada uma considera a perfeição. Para umas é estar sempre presente, para outras dar um bom exemplo ou uma boa alimentação e há ainda as que crêem que o melhor é prover bens materiais e conforto.

Em um dia exaustivo com os filhos NUNCA revelaremos para as outras mães nossos medos, angústias, nossas falhas e dúvidas. Sofremos com nosso alto índice de culpa materna (sempre nos apontando que poderíamos fazer mais e melhor). E como em um movimento de legítima defesa apontamos os erros das outras antes que apontem o nosso. E lá começa a guerra entre os mais variados tipos de mães. As que trabalham versus as que não trabalham é um verdadeiro duelo clássico (Já estive em ambos os lados do ringue e portanto sinto-me a vontade para apontar os principais golpes “sujos” utilizados pelas adversárias) risos.

Do lado esquerdo estão as mãe trabalhadoras. Estas mulheres acreditam ser, e na maioria dos casos são, mais auto suficientes, independentes e multitarefas. Possuem múltiplos interesses e objetivos de vida (crescer na carreira, finalizar o MBA, cultivar os amigos, cuidar dela mesma, estar com a família, namorar o marido, viajar o mundo, ajudar os menos favorecidos e salvar o planeta). Entretanto, não conseguem tempo para cumprir metade dos seus interesses (e o maior prejudicado é sempre o marido). Elas pensam que as não trabalhadoras são fúteis, preguiçosas, dependentes e passam o dia no shopping, malhando o corpo ou vendo novelas. Além, de não terem uma vida própria pois vivem única e exclusivamente para filhos, maridos e casa. “Fazer academia ou curso de cupcake não é necessariamente um projeto de vida, certo?” As trabalhadoras sofrem de culpa crônica em relação a sua ausência no dia-a-dia com os filhos. Culpa que acaba sendo agravada pelo os discursos maléficos das mães donas de casa ou dondocas que fazem afirmações como: “Para que ter filhos para deixar sozinhos em casa?”, “Uma criança precisa da presença constante da mãe”, “Mandar para escola com 1 ano, nossa que horror vai viver doente”, “Você não cozinha para seu filho? Você serve comida congelada?”. As executivas compensam os filhos com muito consumismo, passeios, cursos, viagens para Disney e eletrônicos. E claro, comem elas mesmas muito chocolate.

E do lado direito estão as adoráveis mães donas de casa ou dondocas (que é a variação só que com babá, cozinheira e faxineira, portanto com mais tempo para cabeleireiros e academia). São mulheres mais bem humoradas (não pegam trânsito, não aguentam chefe mala, não se preocupam com as contas no fim do mês), mas bem cuidadas (com academia e salão sempre em dia) mas andam mais mal vestidas (nada de roupa social passeiam pelo supermercado com roupa de ginástica). Possuem também múltiplos interesses (seção da tarde, vale a pena ver de novo, novo corte de cabelo da mãe da colega da filha, visitar a nova academia do bairro e decidir qual a cor da cortina da sala, qual vai ser o jantar, e se o almoço de domingo será na sogra ou na mãe). Além de terem a agenda tão lotada como as mães que trabalham fora. Só que em vez de acordarem às seis da manhã para fazer meia hora de academia e trabalhar por dez horas seguidas elas acordam às nove horas tomam 30 minutos de café da manhã, assistem Ana Maria Braga para depois gastar 2 horas na academia, 1 hora no supermercado, 40 minutos na farmácia, 10 minutos na lavandeira, 40 minuto no banco e fora o trabalho não remunerado de motorista dos filhos (escola, natação balé, casa do amigo). O fato é que seus filhos comem sempre frutas frescas e alimentos saudáveis, e elas sempre fazem a lição de casa com eles. Esta espécime de mãe costuma acreditar que as mães trabalhadoras são egoístas e desnaturadas por natureza, voltadas apenas para SUA carreira, SUA vida, SEU futuro e sem tempo para filhos e marido. Pensam isto mesmo que passem a manhã na academia e a tarde no shopping enquanto os filhos ficam sozinhos com a babá o dia todo. Muitas vezes as mães donas de casas não se sentem reconhecida por cuidar da casa, maridos e filhos e sofrem com a ausência de um projeto só seu. E claro que a megera da mãe que trabalha fora faz questão de diminuí-la ainda mais: “Os filhos crescem e vão ter orgulho de uma mãe que tem uma profissão”, “Deve ser monótono ficar o dia em casa sem nada para fazer (nada pensa a não trabalhadora enfurecida?)”, “Se você vive em função dos filhos quando eles forem embora vai fazer o que?”. Nestas horas as mães que não trabalham fora (mas nossa como trabalham dentro de casa, mesmo com babá e empregada já passou um dia administrando uma casa com crianças?) costumam detonar o cartão de credito do marido. E a ligeira  depressão logo passa.

E vira e mexe as duas se esbarram à noite. A mãe que trabalha, parada na doceria do shopping se acabando nos doces, segurando as compras do supermercado e o presente da afilhada, enquanto liga para a pizzaria e avisa o marido que está a caminho para o jantar. E  a dona de casa comprando uma torta para a sobremesa do perfeito jantar preparado por ela ( pré preparado pela empregada, lógico). Uma de jóias, salto alto, bolsa  e relógio de grife e tailleur e a outra de jeans, camiseta e chinelos pois acabou de fazer as unhas do pé depois da massagem. A dona de casa logo imagina que vida de “glamour” estar sempre bem vestida, viajando a trabalho, sendo reconhecida fazendo o que gosta, ganhando o seu dinheiro, sem ter que dar satisfações sobre os gastos, e um pouco mais focada em seus interesses próprios. Se fosse assim seria mais valorizada em seu tempo pelo maridos e filhos. E do outro lado a mãe trabalhadora exausta pensando na reunião do dia seguinte e invejando secretamente a disponibilidade de levar os filhos para passear a tarde no parque e usar havaianas no fim do dia. Ainda bem que as férias logo vão chegar!

* Querida mamãe, não se ofenda com este texto coberto de estereótipos. Nem sempre a mãe que fica em casa em tão super dotada nos afazeres doméstico ou tão fútil e nem sempre a mãe que trabalha fora é um ser tão egocêntrico. Foi uma maneira sarcástica de dizer que sim, existe uma rivalidade entre os dois grupos. E independente de qual seja o seu grupo a de concordar comigo que diminuir a outra não nós torna mães melhores!

Brincadeiras a parte a ideia é fazer uma pausa para repensarmos em nossas atitudes e senso critico. Não existe criação perfeita e sim criação possível. E cada uma faz o que acredita ser o melhor para o seu filho. Que também não é igual ao da outra e tem outras necessidade. Nosso maior desejo é que a cria seja feliz. E isto é fato. Mas o erro em que muitas de nós acabam tropeçando é imaginar que somos onisciente e sabemos tudo o que fará este pequeno ser, o qual demos a vida, FELIZ!

Como já foi dito e repetido infinitas vezes: filhos criamos para o mundo e não para nós. E nossas crianças, muitas vezes deveras parecidos conosco, tem suas vontades próprias. E em grande parte das vezes estes desejos e planos não tem nada a ver com o que projetamos para eles.

Portanto, entre erros e acertos, devemos buscar além da criação “possível” a NOSSA FELICIDADE! E assim deixemos nossos filhos com mais espaço para buscar a deles. 

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