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Comer é um dos maiores prazeres que existem, na minha opinião. Sou um bom prato, mas nem sempre fui assim. Dei muita trabalho para minha mãe e comi muitas vezes sob “forte ameaças” ou “chantagens”. Magrela e formiga só almoçava para ganhar a sobremesa e naquela época me acostumei a ter sempre doce no almoço e jantar. Como peso não era problema, pelo contrário até cheguei a criar um regime de engorda que incluíam uma barra de 200 gramas de chocolate por dia, ninguém podava minha sobremesa desde que eu batesse o prato. Aprendi inúmeras técnicas de jogar comida fora (disto me envergonho). Odiava beber leite e por isto sujava o fundo da xícara fingindo que já havia tomado tudo. Por isto, não reclamo de ter que fazer mil palhaçadas para meu filhote comer um fundinho de prato. Tenho fé que com o tempo melhore.

Não sei se foi a maturidade (dizem que toda criança passa por aquela fase chata de querer comer apenas porcaria) ou se foram os dotes culinários e a insistência da minha mãe (que graças a deus nos apresentou de tudo). Mas com o tempo passei a apreciar todo tipo de comida e não apenas sobremesas. Simplesmente amo me aventurar por sabores exóticos. Sou a convidada que toda cozinheira adora receber para o jantar. Sem frescuras de não como isto ou aquilo, disposta a tentar coisas novas e sempre pronta a abandonar o regime por uma boa receita.

Com isto tudo a única mania chata que herdei mas a vida me fez abandonar (pelo menos um pouco, vai) era o fato de que eu odiava repetir pratos na mesma semana. Detestava restos. Comida japonesa na segunda e na quinta. Não, dá! Pizza, de novo esta semana? Ah, não comida árabe dois dias seguidos, nem pensar. Variedade sempre. Os temperos me enjoam fácil. Depois que tive que pilotar a minha casa e meu fogão sozinha, todos os dias, passei abrir algumas exceções. Ok, não muitas! Meu marido que o diga (risos). Mas não incomodo ninguém e quando preciso estou lá no repeteco. Hoje (terça) por exemplo tem aniversário comemorado com pizza que eu já comi no sábado. Estarei lá.

Mas voltando ao ponto para qual me propus escrever… Culinárias do mundo, diferentes receitas. Viajar é uma ótima oportunidade de testar novas combinações. Além do que pratos fazem parte da cultura do local. Que graça tem ir até Egito e ficar comendo Mac Donald? Eu não vejo alguma. Sei que estamos acostumados a certos temperos. Muitas vezes não apreciamos tudo o que degustamos. Eu mesma não gostei da comida do Egito. Mas provei inúmeros carneiros para poder afirmar isto. Posso ter ido aos restaurantes errados. Se um dia voltar vou tentar novamente.

Meu marido tem um tio Italiano. Italiano de fato pois vive lá e não sabe português. Este tio come massa todo santo dia. Sabemos que é assim em toda Itália. Até aí natural pois minha avó do interior não vive sem o feijão que ela faz fresquinho todo dia. Mas o dito do tio quando foi à Paris (vejam bem! terra da gastronomia mundial) sofreu pois não conseguia comer massa todo dia. Dio mio! Ele vai ter a vida inteira para comer massa. Perdeu uma bela oportunidade de experimentar belíssimos pratos. E nem estou dizendo que precisava estar disposto a inovar com um scargot. Poderia ter tentado um croque monsieur que nada mais é que um tostex gratinado com queijos (franceses claro ho ho ho) e creme. Se colocar ovo frito é croque madame. Só para citar algo.

Não quero que pensem que não tenho também minhas preferências. E que poderia participar do programa hipertensão (globo) comendo todos aqueles insetos. Possivelmente, quando for a China não vou experimentar uma baratinha à milanesa e nem vou comer peixe vivo no Japão. Mas vou querer provar o que os nativos comem e aumentar meu repertório de receitas. Existem sim alguns poucos alimentos que procuro evitar mas quando não há jeito posso acabar ingerindo.

Com tudo isto, me preocupo muito com a alimentação do meu filho. Em que ele aprenda a comer saudável e bem. Ele tem apenas 10 meses e esta apenas começando. Mas sei que é em casa que ele irá aprender a comer com variedade. Se não fosse minha mãe insistindo com as frutas e verduras eu não teria adquirido o hábito mais tarde. Como querer que uma criança coma de tudo se não mostramos isto a ela?

Meu marido é ótimo, em todos os aspectos. Nos damos muito bem e brigamos quase nada. Então posso afirmar que nosso maior problema é a distância dos nossos paladares. Não vou tirar o mérito dele pois evoluiu muito desde o namoro para cá. Não meus amores! Não sou a dona da verdade. Não acho que porque como isto ou aquilo todo mundo tem que gostar. O que estou dizendo é que ter uma alimentação muito limitada interfere até mesmo no social.

Explico! O marido em questão foi criado por mãe italiana (nascida lá) e por pai italiano. Aprendeu a comer massa. Mas não feijão. Massa, mas não peixe! Pratos italianos mas não japoneses, chineses, mexicanos, árabes, tailandês, franceses… Entenderam? Feijoada na família. Lá esta ele no canto se enchendo de pão e dizendo que tá sem fome. Paella no final de semana e ele comendo só o arroz. Lula recheada da cunhada. Não, obrigada! Cordeiro assado da avó. Perdi o apetite!

Eu vivia me lamentando. Poxa, ele não come isto ou aquilo. Algumas amigas saiam em sua defesa. “Como você é chata! Deixa ele comer o que ele quiser.” Mas acontece que se ele não come eu também, não. Pizza, não tem problema certo? Errado! E olha que ele faz uma massa e assa em forno a lenha como ninguém! Mas seu recheio favorito: muzzarela. A mais sem graça na minha opinião. Pizza de funghi nunca mais! Ok já estamos em um momento da relação em que evoluímos para algumas de abobrinha ou alcachofra. Mas sempre com uma margherita junto.

Tenho que reconhecer o grande passo que ele deu incluindo em seu cardápio o peixe cru e o sushi.. Palmas para ele. Depois de muita cara de ânsia, meu amor se apaixonou pelo temaki. Estão vendo como é preciso experimentar? Quem sabe daqui há 5 anos ele passa a gostar também de feijoada, bacalhoada, carneiro assado, moqueca e paella? Até lá… Haja pão nas festas da minha família. E macarrão com molho vermelho nas dele.

Para vocês meus amigos eu digo: inove, prove, tente! Não só na culinária, como na vida!  Amanhã tem receita de Moussaká! “Lasanha Grega sem massa”

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