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Sempre que alguém é levado por Deus antes da hora me pego pensando no nosso papel no mundo. Alguns podem dizer: quem é você para julgar o todo poderoso e argumentar sobre quando é cedo ou tarde demais? Tem razão! Sou apenas poeira estelar, uma formiguinha vivendo na terra entre os bilhões de outras da sua espécie. Sigo em frente, trabalhando diariamente na minha função de formiga. Carregar folhas para dentro do formigueiro. E assim fazem todas as minhas companheiras de jornada. Mas para que? Existe algum motivo maior do que o fisiológico? Algo mais nobre do que comer, dormir e se reproduzir para depois virar adubo?

Passamos apressados pela cidade. Não temos tempo de cuidar da saúde pois estamos muito ocupados em ganhar dinheiro. Não temos tempo para as pessoas mais queridas da nossa vida pois estamos focados em crescer profissionalmente. Ficamos neuróticos com nossos corpos que um dia irão virar cinzas. Passamos a vida acumulando bens que muitas vezes nem se quer conseguimos desfrutar.

“Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.”

(Chico Buarque)

Aqui não estamos falando de rotina ou mesmice. E sim da busca diária. Acordar, trabalhar, comer, batalhar. Corremos atrás de sonhos, batemos metas, vivemos histórias. E hoje, não consigo parar de pensar no porquê? Alguém me explica por que Deus, o Cosmo, o Universo, o Criador ou seja lá no que você acredite nos colocou aqui na terra?

A idéia não é ser negativa, depressiva ou triste. Sou discípula da alegria, creio na beleza da vida. Mas sempre que a morte me toca (seja por um ente querido ou por alguma celebridade distante) eu perco o chão e me fecho em mim mesma tentando compreender questões existenciais e sem respostas. Estamos aqui apenas a passeio? Para nos relacionar com as pessoas lindas que encontramos? Para viver histórias? Conhecer lugares? Ou temos uma função, um papel, um personagem? Viemos para mudar o mundo ou apenas para fazer parte dele? E porque alguns vão embora mais cedo? Já cumpriram o seu papel? São mais evoluídos? Ou fizeram algum malefício em outra vida?

Fui criada acreditando que todos nós viveríamos para ver nossos netos. A morte já é triste por si só. Mesmo quando nos atinge no alto das nossas rugas e cabelos brancos. Mas o que dizer de quando somos surpreendidos com 50, 40 ou 20 anos? Eu não consigo me conformar e nem mesmo entender. Porque Deus coloca no mundo uma criança para logo depois lhe roubar a vida? E se cada um de nós tem um tempo aqui embaixo, uma função… Por que ele simplesmente não nos chama de volta? Por que existem doenças tão cruéis quanto o câncer?

São perguntas sem respostas. Podemos apresentar teorias mas jamais saberemos. Mas sei de algumas coisas. Hoje o mundo fica mais triste com a partida de alguém tão genial como Steve Jobs. Para mim nem tanto pelo o que ele construiu e conquistou. Mas por nos mostrar que com sonhos e muito trabalho é possível chegar lá. Sei também que seus entes queridos devem estar sentindo uma imensa dor e que esta dor um dia ficará mais amena e irá se transformar em saudades. E por fim, que não importa de onde viemos e nem para onde vamos e muito menos qual nosso papel no mundo. Mas não podemos jamais deixar de ter tempo para o que realmente importa e para as pessoas que amamos. Ninguém é eterno e nem nós mesmos!

Gosto de acreditar que morremos para viver melhor! Então, se me permitir um conselho: viva cada minuto como se fosse o último e seja feliz!

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