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Sou daquelas que vive o universo feminino em toda a sua amplitude. Gosto de coisas dita de “mulherzinha”, tenho muitas amigas mulheres, admiro outras dezenas por serem quem são. Mas o fato é: estou estressada das tantas funções que a sociedade nos impõe e já me decidi. Na próxima encarnação, se me convencerem a voltar, venho como homem. E no minuto seguinte sinto a leveza que está decisão provoca na minha alma.

Ser mulher tem seus milhões de encantos e um bocado de mistérios. Me sinto abençoada por ser capaz de conceber e gerar dentro de mim outro ser. Tenho orgulho de ser tão multitarefa, alguém com sensibilidade e sexto sentido aguçados. Mas é justamente tudo isto que me faz querer ‘jogar a toalha e abandonar o barco”, para usar de jargões.

Imaginem só quanto tempo poupado em arrumação de malas para viagem. Um amigo convida, você joga em 5 minutos na sua mochila surrada uma sunga, duas cuecas, uma bermuda e duas camisetas e pronto. Sem se preocupar se as peças combinam entre si. E nem precisa lembrar de pegar a escova de dentes e o xampu se for casado (sim a esposa vai lembrar de levar para você) e se não for também (não tem farmácia por lá? E tanto faz a marca mesmo desde que faça espuma).

Oh se eu fosse um homem que vida descomplicada eu teria. Teria pelo menos 50% a mais de tempo livre para mim, meu futebol e a cervejinha com amigos. Nada de depilação, manicure, escova, limpeza de pele e drenagem. O supermercado sozinho faria sim, ajudaria na casa lavando a louça, faria um jantarzinho para minha esposa de vez em quando e até mesmo trocaria fralda suja de cocô do meu filho. Tudo isto para ser tido como uma espécime rara. Alguém que merece ser parabenizado diariamente por fazer funções que não são suas. Afinal de contas os outros exemplares, em sua grande maioria não fazem metade disto. É triste mais ainda existem homens casados com mulheres que trabalham fora e não tiram se quer o prato da mesa. E claro, mulheres que permanecem aceitando este comportamento.

Ser homem significaria: não mais alterações hormonais diárias, não mais TPM, cólicas, dor do parto. Sem preocupação com o que vai ter para comer todos os dias em todas as refeições (sim o marido foi ao supermercado mais comprou ESTRITAMENTE o que estava na lista e não faz idéia do que iremos jantar hoje ou amanhã). Não teria que me preocupar com o desempenho da funcionária do lar, bastaria um: “amor ela queimou minha camisa você tem que dar uma dura nela”.

Pouco importaria qual a última moda de bolsas e sapatos pois dois ou três bastariam. Se eu malhasse ótimo mas uma barriguinha até que seria aceita. Careca, cabelos grisalhos, rugas? Quem sabe vira até charme. Botox, plástica, silicone? Nem pensar! Homens maduros são sexys mulheres maduras, coitadas. Homem sem filho e sem casamento é um “bon vivant”. Mulher solteira com mais de 35. Encalhada! Sem filhos? Provavelmente não pode ter. Pobrezinha. Ninguém aceita esta opção. E a mulher casada sem filhos? Logo apontam-lhe o dedo no nariz e perguntam: quando vai ser? Se responde que não quer pensam: então porque casou?

Não vou cansar sua beleza querido(a) leitor listando fatos para afirmar o quanto a vida pode ser injusta com nós mulheres que buscamos ser completas. Nem vou dizer o quanto aquele cara, que troca sua esposa inteligente, dedicada e que cuidou de tudo a sua volta a vida inteira por aquela “zinha”mais nova e que dedicou seus poucos anos de vida a malhar a bunda na academia, merecia uma surra. Melhor parar por aqui!

Não pense que sou daquelas feministas que odeiam os homens. Ou daquelas que são mal casadas ou acabaram de levar um pé na bunda e estão amargurando uma dor de cotovelo. Sou sim, um pouco feminista e muito feliz no casamento. E divido minha cama com um companheiro que tenta compartilhar de toda a maneira um fardo em que  o mundo em que vivemos insiste em dizer que é meu. Ele é o cara super legal e eu sou a mulher que se cobra por achar que não dá conta dos seus 1001 papéis com maestria e perfeição.

O intuito deste escrito é nos fazer pensar. Rasgamos o soutien, o queimamos em praça pública, fomos atrás de liberdade. Conquistamos espaço no mercado de trabalho mas não abandonamos a cobrança de perfeição de todos os nossos outros personagens. Mãe, mulher, esposa, pessoa civil, dona de casa, profissional e etc…

Relaxe!! Você não precisa ser perfeita, a melhor em tudo. Você já é mulher. Pensando bem, como disse uma amiga, voltar na próxima encarnação como homem de jeito nenhum. Para que regredir? rs

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