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Estava lendo um texto na revista Lola sobre a felicidade instantânea que as pessoas insistem em apresentar no meio virtual. E achei muito interessante pensar no tema, já que por coincidência ou não, eu e algumas amigas tratávamos disto semanas antes.

Certa vez minha antiga terapeuta me disse: – “Já reparou como no Facebook todo mundo é feliz?”. E eu fiquei pensando que era bem por aí mesmo. Além das melhores fotos, nas melhores viagens, nos momentos mais animados as pessoas também postam frases do tipo: “amo minha vida”, “feliz”, “realizada” e por aí vai. A sensação que temos é que ninguém tem problemas no trabalho, na família, que os casamentos são todos perfeitos, que os filhos não trazem preocupação entre outras coisas.

Não que eu seja contrária à felicidade. De forma alguma. Acredito que temos que correr atrás dela com toda a nossa energia. Não sou de cultivar a tristeza. E mesmo nos piores momentos de minha vida (e apesar da pouca idade já passei por situações muito difíceis) busquei ver o lado positivo e não me deixar abater. Sempre escutei dos amigos que eu era uma mulher forte. Nunca me permiti lamentações. Quando olho para trás vejo que o fato de eu não aceitar a tristeza do momento, não me permitir chorar toda vez que tinha vontade só me deixou um maior tempo que o necessário com aquele nó na garganta. Em um mundo em que temos que estar felizes SEMPRE, é difícil aceitar os obstáculos que a vida nos impõe. A primeira resposta é  de revolta e não aceitação. Porque comigo? Não é justo!

A verdade é simples, a vida é muito boa. Cheia de amor, saúde, viagens, nascimentos, casamentos, festas, bebida, comida, família, lindas paisagens, amizade e muito céu azul. Mas ninguém passa por tudo isto sem enfrentar também doenças, mortes, rompimentos, separações, questionamentos, decepções e muito céu cinza. E por mais que muito se fale, só damos de fato valor a algo quando perdemos. E todo mundo já perdeu algo para comprovar o que eu digo.

Uma senhora da minha família vivia dizendo que o que tínhamos que viver e passar nesta vida, ninguém poderia viver e passar pela gente. Eu só entendi o que isto significava de fato quando perdi para um câncer uma das pessoas mais importantes da minha vida: minha mãe. Mesmo me sentindo acolhida por amigos, família e o então namorado é como diz aquela música da Marisa Monte (“a dor é minha só, não é de mais ninguém”). E a senhora tinha mesmo razão. Só eu poderia atravessar o vale para onde o luto me levaria. Tive que passar sozinha pela negação, raiva, ódio, profunda tristeza para chegar na aceitação e conviver com a eterna saudades.

Foram dias difíceis em que além de todo o fardo a carregar existia a cobrança que a sociedade nos impõe da felicidade estampada no rosto.

Novamente me pego pensando o porquê desta obrigatoriedade que temos de estar sempre bem, de passar esta imagem de bem sucedida, de que sabe o que queremos em toda e qualquer circunstância, de família perfeita e sem problemas. Se temos uma vida muito boa, não estamos satisfeitos pois esperamos uma vida maravilhosa, perfeita e plena. Afinal todo o resto do mundo virtual tem esta vida de felicidade plena menos a gente, certo?

Ok! Ninguém posta em uma página relacionamento que esta pretendendo se separar do marido ou que está desgostosa na profissão. E as pessoas que vivem de imagem vão continuar a se valer deste meio para mostrar ao mundo o quanto são ricas, bonitas, bem sucedidas e perfeitas. Nada irá mudar. O que tem que mudar é como encaramos estas mensagens. Mundo real não é mundo virtual. E nem deve ser.

Você não terá uma vida menos feliz, caso se permita ser triste de vez em quando. Pelo contrário quando estiver feliz, o será de fato com toda a leveza e alegria que este sentimento traz.

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