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Sempre tive uma relação forte com a cozinha. Ao contrário de grande parte das mulheres da minha geração que fazem questão de não saber fritar um ovo (como se fosse até uma forma de degradação entender de cozinha) eu sempre fiz  questão de receber amigos e parentes em casa para um jantar, um almoço ou um lanchinho.

É praticamente impossível que alguém venha me visitar e saia sem ao menos um café com biscoitinhos ou um bolinho feito no dia, e por mim. Bom agora com o filhote tudo fica mais complicado e provavelmente comprarei o bolo feito no dia, pelo padeiro. Mas a mesa estará posta com atenção em todos os detalhes. Tenha a certeza.

Nada mais especial do que preparar a casa com flores e velas, escolher pratos, talheres e toalhas. Para cada tipo de convidado um cardápio. Houve um tempo que receber amigos para jantar em casa me tomava um dia inteiro de preparação entre compras no supermercado, arrumação da casa e preparação dos comes e bebes. Cansativo mais muito prazeroso. 

Gosto tanto de comida que quando viajo é mais importante experimentar novos sabores e texturas do que visitar pontos turísticos. Viajar para longe e procurar um Mac Donald pois não quer se arriscar com comida nativa, não é a minha praia. Os aromas e temperos locais nos fazem sentir como parte integrante daquela cultura. Mesmo que a sensação dure apenas algumas garfadas ou colheradas.

Nada mais família do que almoços de domingo. Amigos combinam bem com churrasco e cerveja. Já namorados, com fondue de queijo e vinho. E amigas com café expresso e bolo.

A comida une e ao mesmo tempo cura. Qual melhor remédio para sarar de resfriado? Cientificamente comprovado o efeito da canja. Feita pela mãe ou avó, então? Tiro e queda! É a chamada comfort food ou a comidinha caseira para os íntimos. Nem o melhor chef de cozinha francês consegue substituir aquela vontade de algo simples e feito em casa quando ficamos dias comendo apenas na “rua”.

Acredito que cozinhar para alguém é uma forma pura de demonstração do verdadeiro amor. Você coloca sua energia naquilo, capricha, faz com carinho. E se o convidado(a) gosta do prato. Hummm! Êxtase! Você foi correspondida.

Esta paixão embora adormecida e esquecida pelo cansaço e falta de tempo, sempre me acompanhou. Se não posso cozinhar tantas vezes quanto gostaria, posso ler, falar sobre e comer com os olhos as receitas de outros. E o tema tem tudo a ver com o universo feminino. Desde que o posto atrás do fogão dentro dos lares passou a não ser mais exclusivamente feminino, a cozinha se tornou um local mais criativo e interessante.

Não vamos discutir que algumas gostam de cozinhar, umas apenas de comer e outras tantas nem isto (destas últimas sim eu tenho pena). Mas que sentar em volta da mesa para fazer uma refeição é um dos principais rituais de união dos nossos tempos… Ah isto vocês vão ter de concordar comigo.

E para aqueles dias em que tudo o mais dá errado: a TPM atacou, a carência bateu, uma tristeza apertou o peito. Apele minha amiga, sem dó, sem culpa, sem preocupação com a eterna dieta. Use e abuse do chocolate. Em barra, em pó, em creme ou como brigadeiro de colher. Aproveite e se lambuze! Pois juízo demais faz mal.

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